odos os anos, milhares de estudantes brasileiros concluem o ensino médio sem dominar conteúdos básicos de Matemática, Português e Ciências. Aprovados por força de sistemas que priorizam números estatísticos em detrimento da aprendizagem real, esses jovens chegam ao fim da educação básica vulneráveis — sem preparo para o mercado de trabalho, para o vestibular ou para a vida em sociedade.
Como professor de Física, vejo de perto as consequências dessa política perversa. Alunos que chegam ao 3º ano sem saber operações básicas. Jovens que nunca fizeram um experimento científico. Cidadãos que não aprendem a pensar criticamente porque o sistema os empurra para frente, ano após ano, sem exigir o mínimo de aprendizado.
A aprovação automática não é inclusão — é exclusão disfarçada. Incluir de verdade é garantir que cada aluno aprenda, com dignidade, com apoio e com qualidade. É dar condições para que o professor ensine. É valorizar a escola como espaço de transformação, não de depósito de corpos.
Defendo o direito a uma educação que forma cidadãos conscientes, críticos e preparados. Enquanto a política educacional brasileira não levar isso a sério, continuarei denunciando — dentro e fora da sala de aula.